Novos ataques <i>jihadistas</i> no Burkina Faso e no Mali
Dois ataques em Ouagadougou, na sexta-feira, 2, provocaram oito mortos e 80 feridos entre as forças de segurança, tendo sido abatidos nove atacantes. Há pelo menos dois detidos e assaltantes em fuga.
Os alvos na capital do Burkina Faso foram a embaixada de França e Estado-Maior das Forças Armadas. A acção foi reivindicada pelo Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (GSIM) e justificada como «represália» contra um recente raide no Norte do Mali pelas tropas francesas do dispositivo Barkhane.
Trata-se de uma organização que juntou há cerca de um ano vários bandos jihadistas do Sahel ligados à Al-Qaida. É dirigida pelo tuaregue maliano Iyad Ag Ghaly, chefe do Ansar Eddine.
No Estado-Maior, a explosão de uma viatura com explosivos, que precedeu o assalto por homens armados, destruiu completamente a sala de reuniões onde estava prevista uma reunião dos chefes militares da força multinacional africana do G5, financiada pela França, Alemanha, EUA e Arábia Saudita e constituída por tropas do Mali, Burkina, Níger, Chade e Mauritânia.
Na repressão do ataque participaram, além das forças de segurança burkinesas, tropas francesas heli-transportadas do Comando de Operações Especiais, baseado em Ouagadougou.
As autoridades suspeitam de cumplicidades entre militares burkineses e assaltantes. A revista Jeune Afrique cita uma «fonte securitária» que relaciona os atacantes a sectores próximos de Blaise Compaoré, o ex-presidente derrubado por uma revolta popular, em Outubro de 2014, após 27 anos de poder.
Entretanto, no Mali, em finais de Fevereiro, um ataque jihadista provocou a morte de quatro «capacetes azuis» das Nações Unidas, provenientes do Bangla Desh, e ferimentos graves em quatro outros. A acção, na região de Mopti, ocorreu um dia depois de seis militares malianos terem morrido em consequência da explosão de uma mina artesanal, no centro do Mali.